Ministra anunciou que está em tratamento contra um linfoma.
Diagnóstico foi feito em fase precoce, diz hematologista.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como provável candidata do PT à presidência, passou o dia em Brasília descansando e deve retomar a rotina de trabalho nesta segunda-feira (27). No sábado (26), Dilma anunciou que está em tratamento contra um câncer em estágio inicial e já retirou um tumor.
Trata-se de uma doença silenciosa sem qualquer sintoma, descoberta por acaso.
“Eu não vim aqui avaliar isso. Eu vim aqui avaliar o que a gente faz normalmente, um check up”, afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
“O diagnóstico da ministra foi feito numa fase bem precoce. Ela tinha esse linfoma em estágio inicial, esse nódulo era único e foi retirado”, disse a hematologista Yana Novis.
O linfoma é um câncer no sistema linfático, que é responsável pela defesa do corpo. Por esse sistema circulam os glóbulos brancos. Eles atuam no combate a doenças provocadas por vírus ou bactérias.
O sistema linfático é composto também pelos gânglios. Os gânglios normais, com três ou quatro milímetros, crescem com câncer de forma desordenada, como revela o mesmo exame. O gânglio descoberto na ministra tinha dois centímetros e meio.
Os linfomas são divididos em duas grandes categorias: o linfoma Hodgkin, ou doença de Hodgkin, responde por cerca de 10% do total de casos. Atingem em sua maioria jovens e pessoas de meia idade. Os outros 90%, incluindo o caso da ministra, são linfomas não-Hodgkin.
“O linfoma não-Hodkin tem uma prevalência maior acima da quinta década de vida. Ele se caracteriza por aparecimento desses gânglios em qualquer região do nosso corpo. Em geral, a maior prevalência é acima do diafragma, na parte de cima do corpo, no pescoço e nas axilas”, comentou o oncologista clínico Agnaldo Anelli.
O subtipo do linfoma da ministra é o das grandes células do tipo “B”.
“Os linfomas de célula B são tumores que podem crescer de maneira rápida ou de maneira indolente, de maneira muito lenta. Existem pessoas que podem conviver com o linfoma sem saber do seu diagnostico ou mesmo vir a falecer de outra causa que não o linfoma. E pessoas que têm uma doença que se comporta de uma maneira mais agressiva, invadindo órgãos, estruturas, e precisam de tratamento rápido mais precoce”, acrescenta o oncologista Agnaldo Anelli.
A ministra tem o caso mais agressivo que, no entanto, também é de tratamento mais eficaz.
“O linfoma é estagiado em quatro fases. O estagio 1, em que você tem um comprometimento de um único setor, por exemplo, só na axila ou só no pescoço.
O estágio 2, em que você tem o comprometimento de 2 setores, por exemplo, pescoço e axila. Mas ainda acima do diafragma. O estágio 3, em que você tem comprometimento acima e abaixo, por exemplo, pescoço e virilha. E o estágio clinico 4, quando você tem o comprometimento ou de medula óssea, onde produzimos o sangue, ou comprometimento de outro órgão, como fígado e pulmão”, explica o oncologista Agnaldo Anelli.
Além do estágio do linfoma, outra classificação é feita pelo aparecimento ou não de sintomas.
“Você classifica em letras A e B. A letra B significa que há febre, perda de peso inexplicada, sudorese noturna ou prurido e coceira no corpo. A letra A classifica pessoas que não têm nenhum desses sintomas”, continua o oncologista.
A ministra está no estágio 1-A, o primeiro de todos, sem aparecimento dos sintomas. O linfoma foi descoberto há 177 anos pelos cientistas, mas as suas causas ainda são um mistério. Os pesquisadores sabem apenas que infecções por alguns tipos de vírus, exposição a agrotóxicos e predisposição genética são fatores de risco.

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